Dicas e Truques Vida de Mãe

O terrible two e a estratégia do urso

Se você é uma mãe novata, de primeira viagem, talvez ainda não esteja familiarizada com o termo “terrible two” ou, “terríveis 2 anos”. Para os pediatras e especialistas, ela é uma fase da criança que começa por volta de 18 meses e termina lá pelos 36 meses, pode ser antes ou depois, depende de cada criança.

Eu já falei algumas vezes por aqui sobre as birras e tudo o que eu já fiz aqui em casa para tentar resolvê-las da melhor maneira possível, e com menos sofrimento para todos. Hoje, com o Pedro maiorzinho (8 anos) e a Cacá também (6 anos), eu me sinto mais segura pra dizer pra vocês as coisas que realmente funcionaram, as que não funcionaram e também, quero esclarecer que, birra não acontece só no terrible two não! Até hoje ainda tem por aqui e olha, os xiliques vão mudando e as técnicas precisam ir se aperfeiçoando (não quero desanimar ninguém, mas é a verdade! hehehe).

Dia destes, eu estava conversando com uma amiga que é mãe de primeira viagem de uma pequena princesa de 2 anos e meio. A primeira coisa que ela veio me pedir “socorro”, foi como lidar com a pequena que ultimamente, tinha ataques de “criança minhoca” (aquela que sacoleja no seu colo até escorregar pro chão) e quando era repreendida, machucava a si mesma, batendo a própria cabeça no chão ou parede e depois, obviamente, abrindo o maior berreiro!

Isto me lembrou muito esta fase do Pedro, ele também tinha estes ataques de “raiva” em que começava a se machucar, batia a própria cabeça, chutava a parede, socava as coisas e arremessava brinquedos.

A primeira coisa que eu aprendi com o pediatra dele, quando contei desta “novidade” foi que, ele estava no tal terrible two e que, eu teria que ter paciência e me certificar que, nestes ataques ele não se machucaria.

Mas como fazer isso, quando você simplesmente não espera que a criança vá se “bater” sozinha e ainda por cima, normalmente isto acontece quando você também já não está no seu estado normal de paciência e nervos?

Pois é, aqui em casa eu sempre fui adepta do diálogo, desde muito cedo, desde quando eu sabia que eles não entendiam nada do que eu tava falando. Eu conversava antes da vacina, pra explicar porque eu iria fazer “aquilo” com eles, eu conversava quando eles choravam de sono, de fome, eu sempre conversei e continuo conversando, é com certeza a melhor e mais poderosa técnica de todas mas, e para estes momentos de crise? Estes momentos em que se você abrir a sua boca será somente para esbravejar, gritar ou chorar junto com eles?

Sejamos sinceras, quando uma criança começa com o xilique, com os desafios, com as “respostinhas”, há um impulso físico de fazer alguma coisa. Eu não sou nenhuma expert ou psicóloga mas, eu já senti este “desejo” de fazer alguma coisa fisicamente para acabar com aquilo, que fosse pegar a criança pelo braço, bater a minha própria cabeça na parede ou, por que não assumir, descer um tapa na bunda da criança xiliquenta!

E é baseada nesta experiência, neste “impulso” físico de fazer alguma coisa mais concreta do que palavras que, um dia, eu pensei, no meio do turbilhão de emoções e gritaria e choradeira que, ao invés deste “impulso” ser violento, ele poderia ser de amor e então, surgiu a estratégia do urso!

Ela funciona assim (digo funciona porque, eu ainda uso até hoje!): quando a crise está muito severa, você já tentou conversar, já tentou a técnica de “não dar audiência” mas, a criança começa a se machucar e você está sem paciência para ser “legal”, abrace!

Isso mesmo, pega como for, abraça! Enrola! Abraço de urso mesmo, ainda que ela se chacoalhe, te empurre, te chute, diga não, abrace e não solte, abrace e vá dizendo que a ama, que você também está chateada, mas que ela não pode se machucar! Que você não quer ver ela machucada porque ela é muito importante pra você!

Ás vezes, eu abraçava e começava a cantar: “shhhhh, eu te amo! vai passar! eu te amo! shhhh”, acho que levava cerca de uns 5 minutos para eles pararem de tentar se desgrudar de mim e então, se permitirem serem abraçados e irem se acalmando.

Até hoje, o Pedro tem esta “mania” de, em todo acesso de raiva, sair chutando paredes, esmurrando portas, mordendo almofadas… Ele já é um garoto crescido, e já entende muito bem o que está fazendo então, por causa da idade dele, eu sei que ele não vai se machucar de verdade, ele já tem noção destas coisas, mando ele pro quarto, dou 3 minutos pra ele se acalmar e vou lá, abraçar, conversar baixinho, entender o que está acontecendo…

Cacá, aos 6 anos, ainda cabe no meu colo, ela nunca teve estes acessos de querer se machucar mas, quando começa um xilique, começa a gritar e tira qualquer um do sério! No caso dela, eu pego no colo, abraço bem forte e ela vai diminuindo os gritos, diminuindo o choro, até conseguir conversar.

Eu fico sempre pensando, talvez, abraçar “à força” também seja um tipo de violência, mas prefiro isto a perder a paciência e acabar acertando tapas por aí ou, vê-los se machucarem sozinhos. Acredito de verdade que, o xilique das crianças nada mais é do que um pedido de ajuda, quando eles estão no terrible two ou aos 8 anos, estão pedindo ajuda para lidar com aquele sentimento que eles não conseguem entender, com aquilo que não gostariam de sentir naquele momento e muitas vezes, eles nem sabem o que estão sentindo para poder expressar seu pedido de ajuda.

É claro que, tudo tem limites, como eu disse antes, meus filhos já estão bem grandinhos então, eu sei bem, e eles sabem que eu sei, quando aquilo que eles estão fazendo é simplesmente para me desafiar e testarem seus limites e é claro, que eu deixo muito bem claro quais os tipos de comportamentos que não são admitidos.

Este papo de criança com “manha”, “mimada”, “maldosa”, “malcriada” pra mim não existe! O que existe são crianças mal amadas, mal assistidas e na maioria das vezes, isto não acontece porque seus pais são cruéis e sim porque estão desamparados, sem saber como agir e repetindo o comportamento de seus próprios pais no passado, já que normalmente, nossos pais são os únicos modelos de “como ser pais” que temos na vida, certo?

Criar um jeito todo novo e único de maternar e ainda, que funcione, é o meu grande desafio, já que eu nunca pude contar com a ajuda do exemplo de ninguém! Por isso, compartilho com vocês aqui o que está funcionando e eu garanto, abraço de urso, cheio de amor e carinho, acalma até o mais feroz monstrinho adorável que você possa ter em casa e depois do abraço, bora conversar?

Bora entender o que se passa neste coraçãozinho aí para que ele também possa entender, que você também tem um coração, que sofre, que chora, e que quer gritar tanto quanto ele quando as coisas saem do controle mas, como mãe, você está mostrando pra ele que existe um caminho melhor do que se machucar, machucar os outros ou destruir coisas, existe o caminho do abraço, do olho no olho, do amor!

Por aqui está dando certo, e por aí, o que vocês têm feito para lidar com tudo isso? Me contem as suas técnicas ou desabafem comigo, chorar uma pra outra também faz bem, e se meu abraço de urso não pode ser de verdade em vocês, sintam ele bem quentinho virtualmente! #tamojuntas!

Bjs ;)

8 comentários

  1. Oi Loreta, o “abraço de urso” é novidade pra mim… uma hora dessas vou tentar!
    O que tem funcionado aqui em casa, com meu pequeno de 2a8m, é abaixar e ficar na altura dele, literalmente sentar no chão, isso altera a visão que ele tem de mim, eu penso que deixo de ser uma am

  2. Tenho uma filha de 2 anos e 1 mês, e esta bem nessa fase, eu trabalho durante o dia e pego ela no final da tarde, ela fica com minha mãe, procuro conversar explicar mas deixo claro que as birras não funcionaram..
    por exemplo se ela se joga ou grita porque quer riscar um livro eu o tiro dela, explico que ela não pode fazer aquilo, e se ela continua a chorar ou gritar ,não cedo a vontade dela.
    Vou adotar o abraço de urso. tomara que funcione rsrsr
    bju

  3. Adorei o texto, Loreta! Já vai para a minha listinha de melhores da semana :)
    Com certeza, #tamujunto!
    Eu estou bem no meio do terrible two (meu pequeno tem 2 anos e meio). E, sim, quando temos ataques de raiva, é muito grito e chute. Não vou negar, também tenho vontade de revidar na mesma moeda.
    Mas aí eu lembro que tenho uns 30 anos a mais que ele – e tenho que saber lidar melhor com a situação, certo?
    Por aqui, eu dou aquela ignorada básica e ele mesmo vem atrás pedir colo. Aí, espero ele se acalmar e parto para a conversa – também sou dessas :)

  4. Adoro seus exemplos…Meu filho está com 1 ano e 8 meses e esses chiliques me davam a sensação de trabalho errado…Onde eu estou errando? Por instinto ou não sei o que, comecei a fazer isso…

  5. Adoro seus exemplos…Meu filho está com 1 ano e 8 meses e esses chiliques me davam a sensação de trabalho errado…Onde eu estou errando? Por instinto ou não sei o que, comecei a fazer isso…E agora, com seu exemplo, estou super feliz…Beijos e parabéns!

    1. Oi Ligia, é sempre assim, a gente sempre acha que a culpa é nossa, né? Mas é uma fase e vai passar, respira fundo, conta até 1 milhão e abraceeeee!!! rsrsrsrs Qualquer coisa, grita aqui! Obrigada pelo carinho! Bjs ;)

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